05/09/2025 - 23h26
Elói Kruger, o descobridor de talentos
O fim de semana em Cascavel será especial e nostálgico para quem gosta de futebol. Neste sábado (6), no velho Ninho da Cobra, serão realizados jogos com craques que foram descobertos pelo técnico Elói Kruger. A festa esportiva será seguida de um churrasco, organizado pelos próprios atletas. Tudo isso para comemorar os 75 anos de Elói Kruger, o descobridor de talentos, que se transcorrerá no domingo, 7 de setembro.
Elói estará comemorando 75 anos de vida e 55 como técnico. Irá se encontrar com muitos que outrora sonharam ser jogador de futebol profissional, mas que poucos chegaram lá. Nestes 55 anos, Elói diz que trabalhou com mais de 500 atletas. Entre os jogadores que foram lapidados por Elói estão Jean Carlo (jogou no Palmeiras), Maisena (São Paulo, Internacional e Fortaleza), Alcindo (Flamengo e ídolo no Japão) e Capitão (Portuguesa, São Paulo e Grêmio). "Foi muita gente, que descobrirmos nas mais variadas formas e locais, como campos de terra, nas escolas, na quadra da Praça Wilson Jofre, nos clubes e também alguns que nos procuraram durante os treinamentos. O mais importante foi a amizade que ficou, deles para comigo, eu para com eles e entre eles. A maioria não fez carreira, mas se tornaram cidadãos, boas pessoas, bons pais. Será uma alegria reencontrar pessoas que faz muitos anos que não os vejo", frisa Elói.
Só um lamento
Elói se diz feliz e realizado por tudo que realizou no futebol, mas tem um só lamento. Queria que seus pupilos Zé Moro, Maximino Manoel (Max), Hélio Maurício, Levino Vaz (Cafu), Paulo Medeiros, Anderson (Pilica), Toninho, Renan, Gedeon e Silmar tivessem se tornando jogadores profissionais. "Gostaria de ter visto mais de 100 atletas com que trabalhei tivessem se tornado jogadores profissionais. Mas estes até hoje lamento. Os motivos foram variados. Eles eram craques que poderiam ter chegado à Seleção Brasileira pelo talento", exclama Elói.
Elói conta que levou Silmar para o Vasco e depois de um período no Rio de Janeiro ele retornou a Cascavel. A comissão técnica do time carioca ligava para Elói todos os dias pedindo que Silmar retornasse. "Eles imploravam para que o Silmar retornasse. Diziam que ele seria ídolo no time, e olhe que o Vasco tinha na época ninguém memos do que Roberto Dinamite. Diziam, professor, faço com que ele retorne. Ele é jogador para logo chegar à Seleção Brasileira. Insisti muito com o Silmar até que um dia ele me falou, que seu desejo era criar a sua própria empresa. Entendi que ele tinha um objetivo, uma meta. A partir daí não toquei mais no assunto e comuniquei os cariocas que a decisão dele era não ser jogador profissional. Silmar ficou em Cascavel, jogou em diversos time de futsal e futebol de campo e fundou uma transportadora, hoje uma das maiores do Brasil", detalhe Elói.
Títulos
Elói é um colecionador de títulos. Ganhou todos campeonatos locais e regionais em que participou, mas considera que a conquista do título dos Jogos Abertos de 1985 com a Seleção de Cascavel foi um dos mais importantes de sua carreira. O título foi invicto e muitos jogadores subiram para o time profissional do Cascavel. Entre estes atletas está Capitão, que na semana seguinte já era titular da Serpente.
Trabalho social
Hoje, com 75 anos, Elói continua na ativa, mas dedica a maior parte do seu tempo ao trabalho social, mesmo que atuando com o futebol e com a base. "Atualmente faço trabalho social no Jardim Colonial, no qual pode participar qualquer jovem, mesmo que não tenha qualidade técnica. Este trabalho não visa rendimento. O importante é participar, visando saúde, sociabilidade, sem disputar competições", frisa Elói.
Base do seu trabalho
Elói destaca que seu trabalho sempre foi de base, investindo prioritariamente no aspecto físico. "Sempre me preocupei com o aspecto técnico/tático. Isto é fundamental para a formação de um atleta", acentua Elói.
Analisando o passado e o futuro do futebol, Elói destaca que estrutura dos campos melhorou muito. Tecnicamente é difícil fazer um paralelo em função das diferentes condições que os atletas do passado viviam e como vivem os de hoje.
Mas o futebol é o esporte do brasileiro e Elói vislumbra que o futsal tem muito a contribuir com o futebol de campo no aspecto técnico. (O futsal pode contribuir para que os jogadores do futebol de campo tomem decisões mais rápidas e precisas. Tenham melhor controle de bola, passes mais precisos e jogadas rápidas", finaliza Elói.
